As medidas de emergência que vem resultando na reclusão das pessoas em suas casas podem ter influência sobre o casal e nas relações familiares; isso poderá contribuir para o fim de um relacionamento ou o início de um vínculo mais profundo e maduro, dependendo de como investiremos esse tempo. Que o stress, tristeza, ansiedade e medo pelo momento poderão vir, isso é certo; devemos aceitar essas sensações e, apenas, cuidar para que não fiquem numa intensidade alta que poderão causar adoecimentos físicos e emocionais
O momento atual que nos obriga fecharmos para o mundo externo, ao mesmo tempo, nos deixa de frente com o nosso mundo interno e quem não tolera esse contato e, até agora, se refugiava em todos os “fazeres” do dia a dia terão muitas dificuldades. Se não sabemos lidar com as nossas próprias angústias e emoções o risco nas relações é acharmos que o outro deverá fazer algo para nos acalmar. E isso não vai acontecer. Nosso parceiro(a) poderá contribuir sendo aquela pessoa com quem posso compartilhar pensamentos e sentimentos, mas as aflições são individuais e o caminho só nós mesmos poderemos encontrar.
O respeito pelas diferenças, pelo tempo e o espaço do outro já é um desafio da vida, agora, no momento de confinamento isso se torna bem maior. Se sabemos de algo que incomoda extremamente o nosso parceiro e se isso não nos custar fazer/contribuir, por que não? Precisamos lembrar também que ninguém tem bola de cristal, é preciso falar sobre o nosso incomodo.
Uma outra dica é estabelecermos uma rotina e colocar coisas que fazem sentido para nós individualmente, por exemplo, atividade física, cozinhar, escutar música, organizar material de trabalho, desapegar de vestuários e leituras. Além disso, tirar um tempo para o casal, sim os parceiros podem fazer algo juntos que os dois gostem. É a vida mais uma vez falando sobre o equilíbrio. Como muito bem colocado por Leandro Karnal, historiador brasileiro e professor – “quem não sabe ficar sozinho tem problema. Quem não sabe ser acompanhado tem problema também. “
Por fim, não vamos esquecer que todos nós estamos vivendo potencialmente uma situação difícil, vamos aproveitar o tempo para olharmos para - “o que está acontecendo comigo?”. Arrumar desculpas e culpar o outro é sempre o caminho mais fácil, mas continuará sendo posturas imaturas e pouco evoluídas que não ajudam na construção de nada e o momento agora é de aproveitarmos para construirmos e crescermos de uma forma mais humanizada. Do jeito que estávamos não daria para continuar mais.
Camila Ribeiro Lobato
Psicóloga/Terapeuta Sistêmica
Atendimentos Individual, Casal e Família
Quem sou
- Camila Lobato - Psicoterapeuta Sistêmica
- Psicóloga, formada pela FUMEC, com inscrição no CRP 04/34263. Formação em Psicoterapia Familiar Sistêmica,Terapia Ericksoniana / Hipnoterapia e Sexologia Clínica. Pós-Graduação em TCC- Infância e Adolescência. Formação em Terapia de Esquemas. Co- fundadora da PerCursos. Atua com psicoterapias individuais, de casais e famílias.Atualmente Psicóloga em consultório particular em BH e atendimentos on-lines. Colunista do Jornal Gazeta de Minas em Oliveira e Jornal A Noticia em Carmo da Mata. Ministrante de palestras em escolas e empresas.
sexta-feira, 10 de abril de 2020
domingo, 5 de abril de 2020
O que podemos aprender com o Coronavírus?
A terrível pandemia que vivemos contra o Coronavírus nos deixa a cada dia mais assustados. Um momento que precisamos sim nos proteger. Contra ele precisamos usar máscaras, precisamos sair das ruas, lavar as mãos e distanciar do contato social, mas agora recluso na nossa intimidade do que não deveríamos fugir? A vida nos convida a que? Agora é uma realidade – precisamos nos defender do vírus, mas ao longo de nossas vidas nos defendemos de que?
Hoje eu pude lembrar de uma grande mestre, Jaqueline Cássia, que sempre dizia que nós seres humanos aprendemos na e com a dor e não com o amor. Acredito que não foi à toa que seus ensinamentos voltaram a minha memória nesses dias. Pra mim pura verdade.
Como podemos transformar a dor dessa crise em oportunidades?
A tristeza é uma emoção importante de ser sentida e que a maioria de nós tememos em sentir. É ela que nos deixa mais introspectivos e é a introspecção que nos coloca para refletir sobre nossos valores, estilo de vida, prioridades e é com tudo isso que poderão surgir possibilidades de transformações. A ansiedade, outra emoção sentida muito neste momento, nos leva a fazer movimentos. Um pouco de ansiedade é favorável agora para nos reinventarmos (novas estratégias de trabalho, organização financeira, nos preparar para não correr perigo no futuro próximo). Ansiedade desregulada para mais ou para menos paralisa, assim como o medo, que também é uma emoção muito vivenciada na pandemia. O medo equilibrado ajuda a nos protegermos, em excesso pode gerar pânico e pensamentos catastróficos.
Uma dica para tais emoções não desregularem é pedir ajuda aos nossos pensamentos e fazer avaliações: isso é verdade? Tem algo que eu possa fazer? Isso me pertence? O que eu posso fazer hoje? Com os nossos pensamentos caminhando junto com as emoções vamos para AÇÃO. Ações possíveis e compatíveis com a realidade. IDEAL É DIFERENTE DE REAL.
Assim, podemos perceber a importância das emoções acima citadas para refletirmos sobre o nosso ou os nossos “vírus” internos que tanto corremos. Nesse momento de reclusão desse “vírus interno” não teremos como correr ou combater. Para seguirmos “em frente” precisamos “enfrentar” – repararam que as mesmas sílabas trazem dois significados diferentes, mas complementares? Quem não enfrenta não vai para frente, não evolui – para mim um dos tantos aprendizados que esse vírus de fora (coronavírus) irá nos trazer.
Camila Ribeiro Lobato
Psicóloga / Terapeuta Sistêmica
Atendimento Individual, casal e família
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
Roma 2019 com Maurizio Andolfi - "A utilização do Self do Terapeuta na Terapia Familiar"

“A esmagadora maioria dos seres humanos escolhe não seguir o seu próprio caminho, mas as convenções ; eles , consequentemente, não se desenvolvem , mas sim um método e, portanto, uma dimensão coletiva , a custa de sua totalidade - Carl Gustav Jung
Depois de uma semana imersa levo comigo aprendizados , mais que profissionais , mas de vida !!! Foi uma busca de construção do meu próprio caminho - passo a passo me lanço do espaço !!!! #roma2019#formacao#selfdoterapeuta #maurizioandolfi @ Pontificia facoltà teologica San Bonaventura
Amor Incapacitante
Amor Incapacitante
É difícil para todos nós pensarmos num amor que incapacita, não é mesmo? O amor é uma emoção tão romantizada que mal percebemos que ela pode se distorcer em segundos. Vejo muito nas minhas relações pessoais e profissionais o quanto a dependência pode mistura-se com a “prova de amor”. Muitas vezes o amor cuidadoso e necessário não é contrabalançado com o incentivo à independência. Não percebemos que o “dar amor” pode descambar em uma possessividade sufocante. Cuidado não é superproteção. Amor não é superproteção.
Considero que a primeira pergunta em quaisquer relação e, principalmente, pais e filhos por ser a nossa primeira relação de amor é: essa relação para ambos os lados é incapacitante ou habilitadora?
Não pode-se perder de vista para tal avaliação o que é esperado em cada relação e qual idade e as potencialidades que tem os envolvidos. Um bom exemplo: uma criança de dois anos de idade não consegue arrumar a própria cama, dessa forma fazer por ela não é incapacitá-la, mas para um adolescente de 11 anos, seria sim. Se eu amo porque não estimulo o crescimento e a autonomia? Isso é amor ou dependência?
Amar é querer que esteja perto, mas, as vezes, o custo desse “estar perto” é o outro não aprender certas coisas, não fazer escolhas, não falar em nome próprio. E eu querer isso para o outro é amor? Ou é uma dificuldade minha com as minhas carências que eu não consigo resolver? Será que eu dependo
É difícil para todos nós pensarmos num amor que incapacita, não é mesmo? O amor é uma emoção tão romantizada que mal percebemos que ela pode se distorcer em segundos. Vejo muito nas minhas relações pessoais e profissionais o quanto a dependência pode mistura-se com a “prova de amor”. Muitas vezes o amor cuidadoso e necessário não é contrabalançado com o incentivo à independência. Não percebemos que o “dar amor” pode descambar em uma possessividade sufocante. Cuidado não é superproteção. Amor não é superproteção.
Considero que a primeira pergunta em quaisquer relação e, principalmente, pais e filhos por ser a nossa primeira relação de amor é: essa relação para ambos os lados é incapacitante ou habilitadora?
Não pode-se perder de vista para tal avaliação o que é esperado em cada relação e qual idade e as potencialidades que tem os envolvidos. Um bom exemplo: uma criança de dois anos de idade não consegue arrumar a própria cama, dessa forma fazer por ela não é incapacitá-la, mas para um adolescente de 11 anos, seria sim. Se eu amo porque não estimulo o crescimento e a autonomia? Isso é amor ou dependência?
Amar é querer que esteja perto, mas, as vezes, o custo desse “estar perto” é o outro não aprender certas coisas, não fazer escolhas, não falar em nome próprio. E eu querer isso para o outro é amor? Ou é uma dificuldade minha com as minhas carências que eu não consigo resolver? Será que eu dependo
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